segunda-feira, 7 de maio de 2012

A Bíblia e a questão do tráfico negreiro


A Bíblia e a questão do tráfico negreiro
Meu comentário de hoje é inspirado pela proximidade do dia 13 de maio, o dia em que foi assinada a famosa Lei Áurea, que representou, oficialmente, o fim da escravatura no Brasil. Essa lei foi assinada, como tu deve te lembrar, em 1888, pela princesa Isabel, filha de D. Pedro II. A escravidão é, sem dúvida, uma página negra na nossa história, e o preço disso estamos pagando ainda hoje, com toda essa questão das cotas raciais nas universidades públicas (um sistema que nosso respeitável Supremo Tribunal Federal considerou constitucional, mais uma vez porque é politicamente correto, e não porque é justo; mas vá lá...) A escravidão dos negros foi, talvez, a mais terrível de todas, porque era baseada na raça (considerada inferior) e era praticamente irreversível (a pessoa tinha poucas chances de comprar a sua liberdade). Um tanto diferente era a escravidão no período bíblico, especialmente no tempo do Novo Testamento. Paulo diz aos escravos, em 1Coríntios 7.21: “se você puder se tornar livre, então aproveite a oportunidade”. O mais difícil é ver que existe alguma coisa errada com um sistema quando ele é legal. E a escravatura era prevista em lei. Tanto assim que mulheres negras, lá nas Minas Gerais, quando elas conseguiam a liberdade e melhoravam de vida, tinham um pequeno grupo de escravos. Até o famoso Zumbi, líder do Quilombo de Palmares, tinha escravos! Pastores evangélicos (luteranos) daquele tempo tinham escravos. Era mais ou menos como ter uma empregada doméstica.
Mas o que a Bíblia tem a ver com isso? Em primeiro lugar, muitos justificavam o sistema escravagista com passagens bíblicas. Até se dizia que o sinal de Caim era a pigmentação da pele – ele teria sido marcado com a mudança da cor da pele! A Bíblia não diz isso. Mas, na medida em que escravos são mencionados na Bíblia (e nunca se faz uma pregação aberta contra esse sistema), muitos bons teólogos entendiam que era legítimo escravizar um ser humano.
Mas tem outro lado dessa história, e é este que quero contar hoje. Trata-se da influência bíblica para que se acabasse com o tráfico de negros. A gente sabe pela história que os ingleses se colocaram contra isso e até criaram uma espécie de patrulha marítima, para interceptar navios negreiros. O que nem sempre se menciona é um dado que li num livro que recomendo, chamado Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil, escrito pelo jornalista Leandro Narloch. Diz esse jornalista que, em geral, se afirma nos livros de história que os ingleses tinham interesse no fim desse tráfico por razões econômicas. Só que nunca ninguém diz que tipo de vantagem os ingleses teriam com o fim desse tráfico. A rigor, acho que não teriam vantagem nenhuma. Leandro Narloch relata que houve, isso sim, um movimento popular na Inglaterra, liderado por cristãos (acrescento eu), pedindo o fim desse tráfico vergonhoso. Num determinado momento, mais de 300 mil ingleses aderiram ao boicote ao açúcar, ou seja, deixaram de usar açúcar em protesto contra o fato de que ele era produzido por negros nos engenhos do Brasil. (Seria como hoje não comprar produtos vindos da China, por razões semelhantes.) E entre os líderes desse movimento contra a escravatura estiveram pastores que foram fundadores da Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira, em 1804. Entre eles, o político inglês William Wilberforce.  Ele se bateu por um retorno aos valores bíblicos no contexto da Inglaterra, com um combate aos males sociais daquele tempo. Entre esses males estava a escravidão dos negros. Portanto, causa bíblica, difusão da Bíblia e sua mensagem e luta contra a opressão de seres humanos são coisas que andaram de mãos dadas, no caso de gente como William Wilberforce. Esta é uma figura que valeria à pena conhecer melhor ou estudar mais de perto.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Morreu faz poucos dias José Saramago, notável escritor português, único prêmio Nobel de literatura oriundo de um país de fala portuguesa. Saramago se notabilizou por um estilo marcado por longos períodos sem pontos ou vírgulas. Alguns de seus textos, como A Jangada de Pedra, se caracterizam pelo que se chama de "realismo fantástico". Saramago escreveu num estilo bem lusitano, lembrando em muitos casos o texto da Bíblia de Almeida. Costumo dizer que o texto de Almeida "está mais para Saramago do que para Moacyr Scliar". Aliás, em sua rápida apreciação sobre o escritor lusitano, tão logo anunciada a sua morte, Scliar encontrou um senão na vida de Saramago: o fato de ter comparado Israel ao regime nazista, quando da Guerra dos Seis Dias, em 1967. Em termos de Bíblia, por mais que fosse ateu declarado, Saramago não conseguia se livrar dela. Escreveu um infame livro intitulado "O Evangelho segundo Jesus Cristo". O título mais apropriado seria, de fato, "o Evangelho segundo José Saramago". Um texto profano, blasfemo, apesar de toda a criatividade literária. Mais recentemente, escreveu Caim. Seja como for, não resta dúvida que Saramago conseguiu, como ninguém outro, colocar a literatura portuguesa no mapa do mundo.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Schultetus

Você pode estar se perguntando: Schultetus? Pois sua pergunta tem uma resposta. Ela passa pelo latim. Ah que saudades do latim... Quantas portas não abre! Trata-se, na verdade, da forma latinizada do meu sobrenome.
Abraço
Vilson